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Conheça os tipos de tuberculose extrapulmonar

Apesar de ser mais comum na forma pulmonar, a tuberculose pode se manifestar em qualquer parte do corpo


Em sua forma ativa, a tuberculose (TB) afeta os pulmões, causando a conhecida tuberculose pulmonar. Mas essa não é a única forma da doença. A TB pode se manifestar em outras partes do corpo humano: desde os olhos e a pele até os rins e a bexiga. Nesses casos, é chamada de tuberculose extrapulmonar – um tipo de TB menos comum, mas que merece igual atenção.

A contaminação pelo bacilo de Koch (BK) – a bactéria causadora da TB – ocorre apenas pelas vias aéreas, através da inalação pelas narinas. Depois que a bactéria (que sobrevive até 24 horas no ar) é inalada, o bacilo pode “caminhar” pela corrente sanguínea até parar em alguma parte do corpo. Uma vez instalada, a bactéria pode ou não manifestar sintomas – vai depender do sistema imunológico e das condições de saúde em que a pessoa vive.

Em pessoas imunocomprometidas (como pessoas vivendo com HIV ou em tratamento de câncer), a suspeita de TB e a investigação devem ser ainda mais rigorosas. “Quanto maior o comprometimento imunológico, maior a chance de desenvolver TB extrapulmonar”, explica Gabriela Magnabosco, Consultora Técnica do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) do Ministério da Saúde.

Nesse sentido, a TB extrapulmonar pode ser tão prejudicial quanto a TB pulmonar. Isso porque o bacilo também pode atingir as regiões extrapulmonares de maneira agressiva, gerando sequelas graves em alguns casos – e levando à morte, quando não tratada. E um dos maiores problemas para dar início ao tratamento da TB extrapulmonar é justamente chegar ao diagnóstico.

Enquanto a TB pulmonar causa sintomas bem característicos (sendo a tosse o mais conhecido), a TB extrapulmonar não costuma ser tão perceptível. Isso porque os principais sintomas, que surgem diretamente no órgão afetado, não têm um “padrão”.

Febre, suor, falta de apetite, emagrecimento e cansaço – sintomas comuns à TB pulmonar – também podem se manifestar na forma extrapulmonar, mas não é exatamente uma regra. E como os sinais principais são variados e generalizados, a investigação clínica se torna um desafio para os profissionais.

“O profissional de saúde deve estar atento aos indícios da doença, além de conhecer os serviços e os fluxos da rede de atenção para garantir o percurso adequado visando o diagnóstico oportuno e o tratamento”, lembra Magnabosco. Vale lembrar que, embora a TB extrapulmonar possa ser diagnosticada em muitas partes do corpo, são mais comuns os seguintes tipos:


Tuberculose pleural: atinge a pleura – membrana que recobre o pulmão –, provocando sintomas como falta de ar e dor geralmente unilateral.


Tuberculose ganglionar: pode ser periférica ou profunda e afeta principalmente os linfonodos da região do pescoço, que podem inchar e formar pus. É mais comum entre as pessoas que vivem com HIV.


Tuberculose geniturinária: essa forma da doença pode atingir rins, bexiga, ureteres e órgãos genitais. Ocorre quase que exclusivamente entre adultos.


Tuberculose óssea: comum na região da coluna vertebral, essa forma da doença pode causar dores que aumentam progressivamente. Se não for tratada corretamente pode afetar o sistema neurológico.


Tuberculose laríngea: ao lado da TB pulmonar, o tipo laríngeo é o único que transmite o bacilo para outras pessoas.


Há, ainda, casos de tuberculose no sistema nervoso central, tuberculose meningoencefálica, tuberculose gastrointestinal, tuberculose linfática, tuberculose pericárdica, tuberculose osteoarticular, tuberculose intestinal, tuberculose ocular, entre outros tipos.


Como é feito o diagnóstico


 “A investigação adequada requer uma estrutura diagnóstica que envolve a realização de procedimentos invasivos para coleta de espécimes clínicos como líquido pleural, líquor ou biopsia de órgãos sólidos (linfonodos e pleura, por exemplo)”, afirma Magnabosco.


A biópsia do local de suspeita é a principal forma de diagnóstico da TB extrapulmonar. Através da análise microscópica do tecido coletado é possível visualizar o bacilo. Os testes moleculares, que detectam o DNA do bacilo a partir de materiais coletados e os testes auxiliares de imagem, como ultrassonografia e tomografia computadorizada, também são utilizados.

A depender do órgão ou sistema acometido, pode-se utilizar também a cintilografia e a ressonância nuclear magnética.


A cultura deve ser realizada em qualquer amostra coletada e, independentemente da hipótese diagnóstica, sempre que forem realizadas biopsias de tecido, devem ser feitos:


  • Exame direto do fragmento

  • Cultivo para bactérias

  • Fungos e micobactérias

  • Exame histopatológico para estabelecer o diagnóstico de certeza.

Tratamento


A tuberculose tem cura e o tratamento é feito com o uso de medicamentos antibióticos. O tratamento acontece em fases – por isso as visitas sistemáticas à unidade de saúde são tão importantes.

Na terapia padrão, o processo leva seis meses, mas o tempo final de tratamento pode variar a cada caso.

Quando o tratamento é realizado corretamente a pessoa estará curada da tuberculose. A cura, entretanto, não impede que haja uma nova infecção – por isso, manter os espaços ventilados e iluminados e ter boa alimentação são hábitos que devem ser levados para sempre.

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Um projeto realizado através do Ministério da Justiça e Segurança Pública e FIOCRUZ com a cooperação técnica do Programa Nacional de Controle da Tuberculose.

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