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Penitenciárias de Santa Catarina reorganizam rotina para manter atendimento à saúde durante pandemia

Com organização dos fluxos de organização e assistência, unidades prisionais na Região do Sul do Brasil adotaram protocolos de segurança contra o coronavírus e conseguiram manter busca ativa e tratamentos para a tuberculose durante a pandemia



A pandemia provocada pelo coronavírus colocou desafios a todos os setores da vida prática. A saúde, no entanto, foi ampla e severamente afetada. No contexto do sistema prisional, as rotinas de assistência tiveram que ser reprogramadas para preservar os atendimentos em andamento e, ao mesmo tempo, minimizar as chances de propagação do coronavírus – um desafio e tanto para as unidades penitenciárias, que têm dinâmicas e fluxos de segurança bem controlados.


No Presídio Regional de Lages, em Santa Catarina, as ações de saúde foram remodeladas, mas, em nenhum momento, interrompidas. “Durante a pandemia, as preocupações que já tínhamos foram intensificadas. Todos os internos que entram no sistema passam por uma grande avaliação antes de se juntarem às outras pessoas. Depois disso, monitoramos diariamente”, conta a enfermeira Gianna Cristina Bianchini, que é a responsável técnica pela unidade.


Se antes a equipe (composta por três enfermeiras, dois médicos, um técnico de enfermagem, um dentista e uma psicóloga) realizava anamnese geral entre todas as pessoas que ingressavam na unidade, com a chegada da pandemia, houve ainda maior cuidado na hora do acolhimento.


Desde março, a equipe investiga previamente quaisquer problemas respiratórios, além de averiguar se há presença de sintomas de covid-19 e de tuberculose, como tosses e dor de garganta. Investigam, ainda, se a pessoa teve contato com algum suspeito de covid-19 e se esteve em hospitalização ou viagem recente.


O objetivo é rastrear possíveis casos de covid-19, bem como identificar pessoas com comorbidades, que fazem parte do grupo de risco.


Embora seja essencial, o trabalho na porta de entrada não impede a disseminação de infecções como a tuberculose e a covid-19. A busca ativa e a educação em saúde da população privada de liberdade são fundamentais nesse processo. Isso porque, em face de qualquer sintoma, pessoas privadas de liberdade têm rápido acesso ao atendimento de saúde. A equipe então consegue interferir com agilidade, minimizando os riscos de um surto local.


Por esse motivo, a equipe de saúde da unidade de Lages segue atuando nas galerias – e cumprindo todos os protocolos de segurança indicados para controle da pandemia, é claro.


A equipe procura manter diariamente a atenção à saúde da comunidade carcerária, que envolve também as demais pessoas que circulam no ambiente, como servidores, advogados e familiares. “Todos os dias, passo nas galerias e faço busca ativa em relação às queixas dos internos. Eles não ficam com dores não resolvidas”, explica Gianna.

Com as ações adotadas, a equipe tem conseguido manter o controle sobre a saúde da comunidade carcerária, que não registrou nenhum novo caso de tuberculose durante a pandemia.


Reforço na triagem e na educação em saúde


A 200 quilômetros de distância de Lages, a equipe de saúde da Unidade Prisional Avançada de Laguna vem trabalhando de forma semelhante. “Todos que ingressam na unidade passam por entrevista em que são questionados sobre tosse, sudorese noturna, perda de peso e emagrecimento”, diz a enfermeira Andreza Oliveira, responsável técnica pela área de saúde da unidade.


Diante de suspeita, a equipe, composta por duas enfermeiras, dois técnicos de enfermagem e uma psicóloga, solicita exames de confirmação, como baciloscopia e raio-x. “Eles se encontram no perfil de pessoas que podem ter tuberculose: são carentes e vulneráveis. Muitos chegaram a viver em situação de rua”, diz Andreza.


Em caso positivo, nenhuma etapa é ignorada. Seguindo os protocolos de segurança, a equipe notifica a Vigilância Epidemiológica, agenda a consulta médica, inicia o tratamento supervisionado e faz controle dos recontatos, para rastrear possíveis contaminações e iniciar o tratamento para infecção latente, caso necessário.


Além de manter o rigor na porta de entrada, a equipe manteve as ações de educação em saúde, com entrega de materiais como folders, que apresentam informações práticas e direcionadas sobre a tuberculose às pessoas privadas de liberdade.


Embora a população prisional seja restrita, com menos de 140 internos atualmente, é significativo que a unidade esteja conseguindo manter a contaminação por tuberculose totalmente zerada dentro da unidade.


Sobre a tuberculose


Ainda que seja a principal causa de morte por único agente infeccioso no mundo, a tuberculose é altamente tratável. Para que a cura seja conquistada, o rápido diagnóstico é fundamental.


Após 15 dias de tratamento ininterrupto, a pessoa deixa de transmitir a infecção, podendo conviver normalmente com outras pessoas. A partir do sexto mês, já é possível ficar totalmente curado.


Leia mais: Como funciona a humanização no atendimento de pessoas com tuberculose

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